Nuno Markl teve alta hospitalar, ao fim de várias semanas hospitalizado, para poder exercer o direito de voto. Porém, a recuperação continua, numa altura em que continua a necessitar da cadeira de rodas, para se locomover.
Ainda assim, já pode passar um fim de semana em casa, matando as saudades do seu lar e das suas cadelas, como revelou, com felicidade, nas redes sociais.
Porém, esta primeira saída teve também esse mote de poder votar nas Eleições Presidenciais, que decorreram neste domingo, a primeira volta, mas também demonstrou a Markl que este país continua muito precário no que respeita às acessibilidades, para quem, como ele agora, precisa de se locomover de cadeira de rodas.
Isto na resposta a um outro homem, que teve que votar no exterior, porque que escola onde foi votar não tinha rampas. Markl lamentou o sucedido e apontou para as dificuldades que agora vê com outros olhos.
“A escola onde votei tinha rampas; mas todo o passeio em redor era um inferno com uma cadeira de rodas. Agora percebo com clareza o quanto este país se está nas tintas para a acessibilidade”, lamentou Nuno Markl, que deu voz à partilha de Nuno de Carvalho Mata, tetraplégico.
“Infelizmente, mais uma vez, não consegui entrar na minha sala de voto e tive de votar cá fora. Devido à letra do meu nome calho sempre na mesma sala, sala essa com degrau. Resultado, não consigo aceder ao interior e voto na rua.
No ano passado, quem trouxe a urna cá fora disse que tinha de me ver votar, com receio de que fosse a Carina a fazê-lo por mim, porque é ela quem coloca o adaptador de escrita. Vejam as circunstâncias em que tenho de votar. Desta vez sugeriram que votasse em cima da urna, com uma pessoa a segurá-la. Eu disse que não, quero exercer o meu direito ao voto secreto, como qualquer cidadão.
Será assim tão difícil prever estas situações e encaminhar as pessoas com mobilidade reduzida para salas acessíveis, ou fazer previamente um levantamento e atribuir essas pessoas a uma sala com rampas e portas adequadas. É só pensar um bocadinho e organizar, para que quem usa cadeira de rodas possa votar dentro da sala, com dignidade e privacidade. Simples.
Podem, por favor, começar a resolver isto, para que ninguém tenha de passar por este desconforto e esta falta de respeito”, lamentou Nuno Mata.
Discussion about this post