No programa *Programa Cujo Nome Estamos Legalmente Impedidos de Dizer*, da SIC Notícias, Ricardo Araújo Pereira abordou a polémica em torno da gestão de Cristiano Ronaldo na Seleção Nacional — na altura sob o comando de Jorge Jesus —, criticando a atitude do jogador e a forma como a sua contestação após ter sido colocado a aquecer sem entrar em campo foi encarada.
Durante a sua intervenção, o humorista desvalorizou a ideia de um mero choque de egos entre treinador e jogador, focando a questão na autoridade técnica e na evolução natural dos atletas:
> «O Jesus é a escolha perfeita. Portugal joga com o País de Gales, Cristiano Ronaldo é substituído aos 67 minutos, acho eu, e não me parece muito satisfeito. Inédito. Quando ele é substituído, ele normalmente adora. Depois não jogou contra a Noruega, embora tenha ido aquecer. Essa é uma das questões aqui: as pessoas dizerem que ele o pôs a aquecer. Um jogador de futebol! Os suplentes vão aquecer. Foi aquecer durante mais de 30 minutos… Não é que ele o pôs a limpar as retretas do balneário. Foi aquecer. Está no banco, foi aquecer.»
Ricardo Araújo Pereira manifestou-se perplexo com o facto de o próprio treinador ter assumido publicamente que cometeu um erro no processo:
> «O próprio Jorge Jesus disse que foi um erro dele. Eu não compreendo isso. Sinceramente, não compreendo como é que um treinador diz “olha, os suplentes vão aquecer”, o jogador vai e não entra. Sim, acontece. Fala-se em egos e em personalidades incompatíveis, mas eu acho que não é. A personalidade do Paulo Bento é muito diferente da do Jorge Jesus, da do Carlos Queiroz ou da do Fernando Santos — e, no entanto, sempre houve este problema.»
Para o comentador, o ponto central do debate prende-se com a hierarquia numa equipa de futebol e com a inevitabilidade da idade:
> «Temos de tomar uma opção, que é esta: quem é que decide o que acontece numa equipa? É o treinador ou é um jogador? Eu estava convencido de que era o treinador. Um jogador tem o direito de reclamar minutos de jogo e titularidade? Eu diria que não. Mas, se sim, até que idade? 41, 51, 81? Quando a gente compra bilhete para ver futebol, vai ver o estatuto? “Golo do estatuto!” Não é bem isso. Nós estamos interessados no jogo. É por isso que a carreira dos jogadores acaba: porque o estatuto não marca golos.»
A fechar a análise, Ricardo Araújo Pereira defendeu que insistir no patamar do passado acaba por retirar mérito à história do próprio capitão:
> «As pessoas que acham que o Cristiano Ronaldo continua a ser o melhor jogador do mundo estão a ofender o Cristiano Ronaldo. Porque achar que o que ele apresenta hoje tem alguma comparação possível com o que ele era em 2017 é ofensivo para o Cristiano Ronaldo. Ainda por cima não tem porque não pode ter. É impossível.»
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