A crise instalada no seio da Seleção Nacional de futebol atingiu o pico de tensão após o abandono do estágio por parte de Cristiano Ronaldo e as subsequentes declarações dos intervenientes diretos e comentadores desportivos. Entre as várias tomadas de posição, destaca-se o discurso contundente do jornalista e comentador *Carlos Daniel*, que teceu duras críticas à conduta do capitão e à postura institucional da Federação Portuguesa de Futebol (FPF).
### O Discurso de Carlos Daniel: «Ronaldo não podia ter tido aquele comportamento»
Em análise aos acontecimentos que marcaram os últimos dias da Seleção na Liga das Nações, Carlos Daniel recusou relativizar a atitude de Cristiano Ronaldo, classificando-a como uma falha grave na liderança e no exemplo que o jogador deve representar:
> “Mal-entendido acaba assim. Mal-entendido, se isto foi um mal-entendido, até ao próximo. Ronaldo é muito mais capitão. Capitão na Seleção vai haver sempre o Ronaldo, só houve um e só há um. E portanto, ele como exemplo para os miúdos que jogam à bola, para as pessoas que gostam de futebol, não podia ter tido aquele comportamento. Isto parece uma coisa tão evidente que até custa, num dia como hoje, estar a repetir isto.”
O jornalista criticou igualmente a gestão de Jorge Jesus e a postura do presidente da FPF, Pedro Proença, apontando uma alegada capitulação perante o estatuto do jogador:
> “Não parece nada que houvesse aqui de estratégia de Jesus, como parece hoje, agora colocando o outro lado… Há um lado puro e cru, que é um treinador que capitulou perante um jogador que abandonou o grupo; por muito estatuto que tenha, esse estatuto agora sai reforçado. Capitulou perante o estatuto. Eu ao ouvir o Pedro Proença, que deve ter estado em Marte — eu devo ter vivido uma outra semana que não foi esta que ouvi aqui retratada, de uma relação muito boa do jogador com o treinador, de um ambiente excelente… Pedro Proença começa por dizer ‘eu dessas questões técnicas não me meto, nas conversas entre o treinador e o jogador’, mas depois garante-nos que Ronaldo está na Seleção por mérito desportivo próprio. Portanto, o Presidente da Federação atesta que há aqui um mérito desportivo próprio. É esse que eu discuto. Porque o estatuto, o respeito pela carreira… Não vamos estar sempre a repensar a mesma coisa.”
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