O jogo de Portugal contra a Nigéria voltou a levantar o tema se Cristiano Ronaldo ainda deve ou não ser titular de uma seleção como Portugal, aos 41 anos. Na Arábia Saudita, o capitão continua a destacar-se na lista de goleadores, mas nestes dois jogos voltou a demonstrar algumas dificuldades. Após a partida, o jornalista da RTP, Carlos Daniel, pôs o dedo na ferida e disse que Portugal tem que mexer no ataque, para ambicionar a conquista, neste Mundial.
“Sim, eu acho que se nós, neste momento, tentando ser o mais cru possível, mas ao mesmo tempo respeitando a qualidade de todos os jogadores, mesmo dos que estiveram menos bem, a começar por Ronaldo, se nós não mexermos no ataque não vamos ter grandes possibilidades de ter sucesso no Mundial. E é preciso dizer isto agora, ou avisar a navegação.
Eu fiz questão de dizer que que me parecia que uma boa carreira no Mundial precisa de um bom João Félix e de um João Félix a jogar muito tempo, que me parecia que o Ronaldo hoje é um problema para a seleção e o jogador hoje comprovou, sobretudo, no final.
E não vejo coletivamente nenhuma boa razão para se manter Cristiano Ronaldo, o jogador mais velho da equipa, 64 minutos em campo, quando nove jogadores de campo cumpriram apenas 45. Sim, e mais que isso, quer dizer, neste momento, isto parece-me até objetivo, isto é quase indiscutível, mas parece-me que Portugal ficar amarrado à obrigação de jogar sempre com Ronaldo é um problema.
Ronaldo pode ser útil em alguns jogos. Seguramente, e eu partilho desta ideia, que não é só minha, mas já ouvi muita gente dizer a mesma coisa, que se o Ronaldo hoje se mentalizasse que podia ser um suplente a surgir numa fase mais tardia de alguns jogos, com mais espaço, um adversário mais desgastado, podia ainda, com o impacto, com o lado simbólico que ele aporta ao jogo, ser ainda um jogador muito importante como titular da seleção e, sobretudo, este titular inamovível, que parece que há quase medo de o tirar antes dos outros ou ao mesmo tempo dos outros, está a criar um problema ao próprio Cristiano Ronaldo, e as pessoas admiram-no imenso, tributaram-lhe aquele aplauso à saída porque há uma gratidão do país indiscutível e justíssima, mas isso não nos pode impedir, do ponto de vista técnico ou tático, olhar para a seleção e dizer, Ronaldo pode ser útil em alguns momentos, mas a seleção não pode viver de Cristiano Ronaldo, já não pode e, portanto, tem que ter, ou Gonçalo Ramos, e eu digo aqui com alguma perplexidade porque nunca vai acontecer provavelmente, mas como é que nunca se imaginou uma solução em que João Félix fosse o novo ou falso 9 desta seleção nacional? É hoje o jogador que finaliza com mais qualidade e mais facilidade de toda a seleção”, disse Carlos Daniel.
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