Carlos Carvalhal esteve na Sport TV a dar os seus bitaites sobre esta estreia amorfa de Portugal no Mundial e não poderia ter sido mais acutilante nos seus pareceres.
Nas redes sociais, um trecho do seu comentário está a ser muito aplaudido. O treinador português começa por analisar a tática e explica os erros e acertos.
“Num 5-3-2, olhando para esta configuração, o espaço está onde? Está à direita e à esquerda dos médios. Como é que tiras vantagens do sistema? É levar a bola a um lado, obrigar os três médios a vir para o lado da bola e rapidamente fazer chegar a bola ao outro lado. Porque depois, se nós fizermos isto e estivermos bem posicionados, que é outro problema que uma ou outra vez não estivemos tão bem, a bola chega ao espaço entre linhas e há vantagem de 2 contra 1 até 3 contra 2 no corredor. Nós não conseguimos fazer isto. Não havia necessidade de jogar com o duplo pivô, na minha opinião, naquela altura, principalmente, na segunda parte. Os dois avançados estavam colados na pressão aos nossos dois centrais. Estavam mais colados para a frente do que para trás e o Vitinha recebia… Aliás, nós vimos na primeira parte que recebia sempre a bola nas costas desta primeira pressão dos dois avançados e o Vitinha servia ali pelas costas e saía facilmente da pressão, Portugal. Ou seja, Portugal não precisava que o Vitinha andasse para a direita e para a esquerda, ou que o João Neves andasse para a direita e para a esquerda. Portugal precisava do Vitinha nas costas da primeira pressão. Porque se o Vitinha jogasse nas costas da primeira pressão e não andasse em zonas laterais, nem com o João Neves ao lado, o que é que acontecia? A bola ia rodar mais rapidamente para o lado contrário. Mas nós, como tínhamos dois jogadores, não criámos entropia para estes três médios que, no fundo, três médios que rodam para aqui, e que a bola tocava aqui, tocava aqui, tocava aqui, ia para aqui, para aqui e às vezes ia para ali”, começou por descrever Carvalhal, antes de destacar outras questões, nomeadamente a postura mais apática da equipa.
“Há também aqui aspetos emocionais no jogo que, para mim, são importantes. Quando a equipa retoma, esta segunda parte, digamos o segundo quarto, vem com uma postura de linguagem corporal que nós, treinadores, não gostámos absolutamente nada. Não é que seja relaxe, mas é a posse pela posse. E a equipa não tem linguagem corporal de agressiva na procura do segundo golo. Não mostra isto, em momento algum”, disse o treinador português, antes de deixar um alerta à seleção e a todos:
“Vamos esquecer o ser campeão do mundo e vamos pensar em jogar bem. Eu diria que, se calhar, desde aqui, desde há um mês atrás, que se calhar era importante ter isto na cabeça. Era um mês antes, porque foi festa a mais, euforia a mais, vamos ser campeões do mundo. Eu pergunto quantas vezes, na nossa história, nós, sob um clima de alguma euforia, ganhámos alguma coisa? Eu pergunto. Foi sempre frustrações. Por isso, perguntava-me um amigo meu, antes do jogo, qual o melhor resultado para ti? Sabe o que é que eu lhe disse? Pela minha saúde. Ou um 0-0 ou Portugal ganhar 1-0, mas que seja nos últimos minutos, à rasca. Se possível, nos últimos minutos. [Para abrir a pestana?] Exatamente. Meter os pézinhos no chão”.
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