O humorista Ricardo Araújo Pereira desvalorizou a polémica em torno da recusa em convidar o líder do Chega, André Ventura, para o programa “Isto é Gozar com quem Trabalha”. Em entrevista ao podcast Facto Político da SIC, o comediante reagiu com ironia às críticas sobre os seus critérios editoriais e questionou as prioridades do debate público e do panorama mediático português.
RAP defendeu que existe uma “impressão” inflacionada sobre a quantidade de vezes que o partido de direita radical é visado nas suas sátiras, atribuindo o fenómeno à postura reativa da própria força política. Adicionalmente, o humorista estranhou o facto de a sociedade demonstrar maior inquietação com a exclusão de Ventura de um formato de entretenimento do que com o espaço contínuo que lhe é concedido pelos canais informativos tradicionais.
“Porque é que o André Ventura não é convidado? A ERC já se pronunciou sobre isso também. Eu não posso deixar de achar interessante que a nossa sociedade se preocupe mais com o facto de eu não convidar o André Ventura para um programa de entretenimento do que com o facto dos jornalistas estarem constantemente a convidar o André Ventura. Repare, no canal NOW, não é nenhuma animosidade particular contra o NOW, é só porque foi isso que aconteceu.
O canal NOW entrevistou o André Ventura na segunda-feira da semana passada e na quinta-feira desta semana. Portanto, neste momento o ritmo é de uma entrevista por semana. Quinta-feira o Ventura foi entrevistado, sexta-feira Pedro Pinto, líder da bancada parlamentar, foi entrevistado no mesmo canal.
Não fosse o Ventura ter deixado alguma ponta solta na véspera, fosse preciso apurar melhor. A questão é essa. A gente olha para a lista de pessoas que são mais vezes convidadas para espaços jornalísticos e nos primeiros lugares não estão o Presidente da República, o Primeiro-Ministro, não, não, está sempre o André Ventura.
Imagino que os jornalistas façam convites, formulem convites ao Presidente da República, ao Primeiro-Ministro, ao líder da oposição, o que é justo, aos líderes de outros partidos e que eles não aceitem. Mas o facto de um aceitar sempre não significa, provavelmente, que ele deva ser sempre convidado”, disse Ricardo Araújo Pereira.
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