O conhecido escritor português Pedro Chagas Freitas utilizou as suas redes sociais para lançar um forte apelo público em nome da bebé Áurea, uma menina de dez meses de idade, natural da Póvoa de Varzim, que se encontra a lutar contra uma leucemia linfoblástica aguda.
A criança necessita urgentemente de encontrar um dador compatível para realizar um transplante de medula óssea, o único tratamento eficaz para travar a evolução da doença.
Sensibilizado pela sua própria experiência familiar recente — o autor acompanhou o seu filho Benjamim num longo processo que culminou num transplante de fígado —, Chagas Freitas partilhou um texto emotivo onde expôs a dura realidade da menor, que se encontra internada no IPO do Porto.
Na publicação, o escritor lamenta a “injustiça cruel” de uma criança enfrentar tratamentos oncológicos severos antes sequer de ter vivido experiências comuns da infância, como o primeiro dia de escola ou as brincadeiras diárias.
A família da bebé tem promovido ativamente a campanha de sensibilização através das plataformas digitais sob o lema “Todos Pela Áurea”, com o objetivo de mobilizar o maior número possível de cidadãos para as brigadas de recolha de sangue e registo de dadores. O diagnóstico precoce foi feito quando a menina tinha apenas três meses de vida, iniciando desde logo os ciclos de quimioterapia.
O Centro Nacional de Dadores de Células de Medula Óssea (CEDACE) recorda que o processo de inscrição é simples e não invasivo. As condições gerais para integrar a base de dados incluem condições como
· Ter idade compreendida entre os 18 e os 45 anos
· Peso mínimo de 50 kg
· Não ter historial de doenças crónicas, autoimunes ou oncológicas
· Não ter recebido transfusões de sangue desde 1980-
“A Áurea tem dez meses, porra.
Ainda não houve o primeiro dia de escola, ainda não houve uma mochila às costas, ainda não houve um joelho esfolado, uma birra num supermercado, uma palavra mal pronunciada que toda a família começa a repetir porque é bonita demais para ser corrigida, um desenho oferecido à mãe com três riscos e a convicção absoluta de que aquilo é uma pessoa.
Ainda não.
Ainda não houve o primeiro medo do escuro, o primeiro amigo, o primeiro segredo, o primeiro “não gosto de ti” dito aos pais e esquecido três minutos depois.
Ainda não.
Quando um adulto adoece, a tragédia mexe com uma vida; quando uma criança adoece, consegue mexer com o que ainda não existiu, com os dias que estavam marcados num calendário que ainda não aconteceu.
É uma injustiça, a maior das merdas.
Não aceitamos, é impossível aceitar. Queremos discutir com Deus, com a biologia, com a matemática, com o corpo, com o que quer seja que tenha permitido que uma criança de dez meses precise urgentemente de um dador de medula.
Não é justo, porra.
Se calhar nunca pensaste em ser dador de medula; poucos pensam. A nossa saúde e a saúde dos que amamos torna invisível aquilo que mantém os outros vivos.
Até ao dia.
É este o dia: podes seres tu a salvar esta criança. Se estás a olhar para esta fotografia e tens filhos, provavelmente viste aquela criança e imaginaste a tua. É brutal. Não consegues evitar: e se fosse o meu? Há coisas que os pais não conseguem dar aos filhos: é a pior bosta da parentalidade.
Dez meses, porra.
Isto não pode ficar assim. Pela Áurea, por outras Áureas mais velhas, por outras Áureas se calhar mais novas.
Informa-te, regista-te, se puderes, partilha, fala com alguém, faz este pedido chegar a quem pode fazer a diferença”.
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