O treinador do FC Porto, Francesco Farioli, adotou um tom assertivo na antevisão do encontro frente ao Gil Vicente, rejeitando divisões no balneário e afirmando que o grupo se mantém unido apesar da contestação, após nova derrota para a Liga dos Campeões. No campeonato, a equipa soma só vitórias, mas as exibições recentes causam preocupação no reino do Dragão. Farioli respondeu a tudo.
“Acho que há duas coisas: uma é o sentimento e o desejo de vencer por parte dos nossos adeptos, e nisso estamos absolutamente com eles: na vontade de ganhar e de fazer mais. Em termos de atitude, é isso que tentamos fazer em todos os jogos do campeonato, mas também em todos os jogos da Liga dos Campeões. Depois, há um mundo externo que tem, naturalmente, o desejo de agarrar cada oportunidade para criar problemas, para colocar uma bomba por perto, tentar abater ou, pelo menos, ver algum sangue, porque é um desejo histórico: quanto mais se tenta dividir, mais fácil é tentar conquistar. Mas creio que a força deste grupo e a força deste clube sempre esteve em torno do conceito de família. Falámos várias vezes na época passada sobre a Famiglia Portista, e este é um momento de união. Não porque seja estritamente necessário, mas porque não há nada que nos deva afastar deste sentimento.
Sobre as minhas palavras após o jogo, que alguns dos seus colegas tentaram escrutinar e justificar como sendo desculpas, estamos apenas a falar de factos. O facto de um clube como o FC Porto ter ficado dois anos seguidos fora da Liga dos Campeões traz claramente um prejuízo financeiro para o clube e foi a primeira vez nos últimos 10 ou 15 anos que o clube não se qualificou durante dois anos consecutivos. E quando conversei com o presidente, há 16 meses, ele não me vendeu propriamente uma situação económica fantástica. Disse que era um momento de grande exigência, no qual o clube queria fazer tudo para superar as dificuldades. Penso que foi isso que aconteceu, com um mercado importante na temporada passada, a tentar reconstruir, a tentar criar as condições num prazo de dois anos sermos campeões. E conseguimos ser campeões logo no primeiro ano e conquistar outro troféu.
Agora estamos numa fase em que, evidentemente, temos o desejo de lutar pelo título e fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para vencer o campeonato. Por outro lado, estamos a disputar uma competição mais exigente e desafiante, na qual jogamos contra equipas de topo. O Manchester City, que vinha de uma série de vitórias e leva um percurso 100% vitorioso na Premier League; o Betis, que, se não estou em erro, está em primeiro lugar na tabela da Champions e atravessa provavelmente um dos melhores momentos da sua história; e o PSV, que é tricampeão e participa na Liga dos Campeões há quatro anos consecutivos.
Portanto, aqui não estamos a falar de desculpas, estamos a falar de factos. O facto de termos jogado contra o PSV, que tem 220 jogos de experiência na Champions no onze deles contra 110 no nosso. O Jan [Bednarek], por exemplo, estreou-se, o Oskar e o Samu fizeram a sua estreia a titulares, para além de jogadores que vinham de lesão ou que ainda não estão no topo da condição física. Por isso, juntando tudo, penso que os comentários feitos após o jogo sobre «crise» têm uma intenção dupla e sabemos perfeitamente de onde e como vêm. Da nossa parte, toda essa vontade de gerar ruído tem de ficar bem longe”, diz Farioli, na antevisão ao jogo com o Gil Vicente.
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