Murilo emocionou a todos a escrever uma carta de despedida, pouco antes de morrer de cancro. “Oi pessoal, tudo bem? Vim aqui me despedir porque vou fazer uma viagem, igual a uma excursão da escola. Mas dessa vez vou ficar lá, não vou voltar. Professora Sônia, te amo, obrigado por me ensinar. Pedro ensina a lição de matemática para a Ana, tá bom? Porque eu não posso mais ensinar ela. Eu amo todos vocês”, foi a carta que Murilo escreveu e que deixou milhões com os olhos molhados.
Um momento tão poderoso que cruzou o Atlântico e que fez com que o escritor português Pedro Chagas Freitas quisesse partilhar o seu pensamento sobre esta despedida de Murilo.
“Foi com esta mensagem que Murilo se despediu da vida, dos que fizeram a vida dele.
As lágrimas não param de cair ao ler isto, ao sentir isto. Não há como passar ileso por algo assim.
Tinha onze anos. Onze, porra.
Que cabra pode ser a vida. Temos de consumi-la todinha, temos de agradecer o abraço que ainda temos, a pele que ainda encostamos na nossa; temos de viver, de praticar, o privilégio de nada acontecer. Vão agora mesmo abraçar quem amam; se não podem, liguem, mandem mensagem, digam que amam, que são uns felizardos por terem quem amam nas vossas vidas.
Contam os pais que quando lhe disseram que a sua doença o iria levar à morte em pouco tempo, a sua resposta foi esta:
— E agora: quem vai cuidar de vocês?
Pois é. O que sobra de um pai, de uma mãe, em momentos destes?
Abraço imenso, apertado, a toda a família.
Aguentem-se aí, por favor”, escreveu o escritor português.
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